Enel planeja investir € 4 bilhões no Brasil entre 2019 e 2021

22/11/2018


A gigante italiana Enel, que se tornou o maior grupo de distribuição de energia do Brasil, em número de clientes, com a aquisição da Eletropaulo este ano, prevê investir EUR 4 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 17,2 bilhões) no país nos próximos três anos, de acordo com o plano estratégico da companhia para o período 2019-2021, divulgado ontem. O valor é superior ao dobro do previsto no plano anterior (2018-2020).

Do total previsto para o Brasil nos próximos três anos, EUR 2,2 bilhões (R$ 9,4 bilhões) serão destinados para o segmento de distribuição de energia, EUR 1,6 bilhão (R$ 6,9 bilhões) para geração de fontes renováveis de energia e aproximadamente EUR 200 milhões (R$ 860 milhões) em serviços e soluções de energia.

Segundo o presidente mundial da Enel, Francesco Starace, com relação ao Brasil, após a aquisição da Eletropaulo, a companhia vai se concentrar nos próximos anos na reestruturação e modernização da distribuidora paulista e da Enel Distribuição Goiás (antiga Celg), adquirida em novembro de 2016.

“Nosso apetite por novas aquisições neste momento é limitado comparado com o que fizemos antes, comparada com o tamanho da aquisição da Eletropaulo”, afirmou o executivo. “Estaremos extremamente ocupados, trabalhando dentro das aquisições da Eletropaulo e Celg, finalizando a reestruturação e, depois, a modernização dos ativos.” Questionado sobre a vitória de Jair Bolsonaro na eleição, Starace disse ter “grandes expectativas” sobre o novo governo. “Temos grandes expectativas com o novo governo, para restabelecer um crescimento da economia brasileira, com um mix de privatizações e reformas. As declarações do governo incentivam nessa direção”.

O crescimento da aposta no Brasil é refletido na fatia do total de investimentos do grupo destinada ao país. Enquanto no plano anterior, o Brasil respondia por apenas 7,3% do total de investimentos estimados, agora o país será o destino de 14,5% do total de recursos que o grupo italiano prevê aportar ao redor do planeta nos próximos três anos.

Do ponto de vista global, a Enel estima investir EUR 27,5 bilhões (R$ 118 bilhões) entre 2019 e 2021. O total é 12% superior em relação ao reportado no plano anterior.

Do total de investimentos previstos para o período, 42% são destinados ao setor de fontes renováveis, 40% para o segmento de redes de energia (distribuição), 5% para o setor de varejo, 4% para o desenvolvimento da Enel X (empresa de prestação de serviços e soluções de energia do grupo) e 9% para o setor de geração termelétrica.

Entre 2018 e 2021, a companhia estima um aumento de 6% do Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) global, para EUR 19,4 bilhões (R$ 83,3 bilhões), e um crescimento de 11% do lucro líquido, totalizando EUR 5,6 bilhões (R$ 24 bilhões).

Mantendo os planos de descarbonização, a empresa prevê acrescentar EUR 1 bilhão ao Ebitda a partir de fontes renováveis de energia. A expectativa do grupo é que, em 2021, 62% da produção de energia elétrica da companhia sejam obtidos a partir de fontes que não emitem gases do efeito estufa, contra a marca de 48% atualmente.

A Enel estima ainda benefícios acumulados de EUR 1,2 bilhão, em 2021, a partir de eficiências obtidas com digitalização. Na área de distribuição, a Enel possui 17 milhões de clientes no Brasil, a partir de quatro distribuidoras, em São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro e Goiás. No mundo, a companhia possui 58,5 milhões de unidades consumidoras.

Em geração, o grupo possui globalmente aproximadamente 90 gigawatts (GW) de capacidade instalada, dos quais 43 GW de fontes renováveis. No Brasil, a empresa tem 2,9 GW de fontes renováveis em operação, além de 1 GW em construção. A Enel também possui uma termelétrica a gás natural instalada em Fortaleza, com 326,6 megawatts (MW) de potência.

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