Morre Sergio Marchionne, ex-presidente de Fiat Chrysler e Ferrari

25/07/2018


Sergio Marchionne, ex-CEO da Fiat Chrysler (FCA), morreu aos 66 anos, informou nesta quarta-feira (25) a companhia. O italiano estava internado em uma clínica de Zurique, na Suíça.

Marchionne deixou nos últimos dias o comando da FCA (conglomerado que inclui as marcas Fiat, Jeep, Ram, Dodge, Alfa Romeo, Mopar e Chrysler) e da Ferrari já por causa de complicações de uma cirurgia no ombro.

“Infelizmente, o que temíamos aconteceu. Sergio Marchionne, homem e amigo, morreu”, afirmou John Elkann, membro da FCA.

Seu grave estado fez com que FCA e Ferrari tivessem que escolher seus sucessores antecipadamente em um conselho de administração reunido de maneira urgente no último sábado.

Marchionne tinha anunciado sua saída da FCA para o ano que vem e da Ferrari em 2021. Ele deixa a mulher Manuela e dois filhos, Alessio e Tyler.

Criando um conglomerado

A história de Marchionne na Fiat começou em 2003, quando Umberto Agnelli, herdeiro da família fundadora da Fiat, o chamou para fazer parte do conselho de administração da companhia, mesmo sem ter qualquer experiência em automóveis e com um histórico no setor de seguros.

Em 14 anos, Marchionne conseguiu tirar a Fiat da crise e transformá-la em uma “sociedade sólida e com um futuro brilhante”, como ele mesmo afirmou em junho deste ano ao anunciar seu plano industrial para 2022 e 45 bilhões de euros em investimentos. Marchionne foi um visionário e um dos responsáveis pela fusão que salvou o grupo americano Chrysler da falência em 2009.

Os números de sua era dizem tudo: o faturamento passou de 47 bilhões de euros em 2004 para 141 bilhões no ano passado, e o prejuízo de 1,5 bilhão de euros de 2004 passou para um lucro líquido de 4,4 bilhões em 2017.

O executivo também soube relançar as marcas do grupo americano como a Jeep, que ele considerava um dos “carros-chefes” da companhia, e transformou a Ferrari.

A marca de esportivos estava estagnada e a escuderia de Fórmula 1 em crise, mas ambas se tornaram novamente a “joia da coroa” da família Agnelli, após adquirir 90% das ações que estavam nas mãos de bancos e investidores e criar uma sociedade separada da Fiat com cotação na Bolsa.

Os resultados da Ferrari no primeiro trimestre de 2018 registraram um aumento do lucro de 19,4% em relação ao mesmo período do ano passado e um faturamento de 3,4 bilhões de euros.

Nos últimos anos, Marchionne buscou outras fusões com as gigantes General Motors e Volkswagen, mas não teve sucesso.

O executivo defendia que as montadoras só sobreviverão se dividirem os custos de motores com emissões mais baixas e do desenvolvimento de novas tecnologias, como veículos sem motorista e propulsão elétrica.

Troca no comando

O novo executivo-chefe da FCA é Mike Manley, de 54 anos, nascido em Edenbridge, no Reino Unido, responsável pela marca Jeep desde 2009 e chefe de operações do grupo na América do Norte desde 2015.

O novo executivo-chefe da Ferrari será Louis Camilleri e seu presidente, John Elkann.

Fonte: G1 Globo



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