O impacto econômico da crise sanitária no Brasil

04/03/2022


A Câmara Ítalo brasileira de Indústria e Comércio do Rio de Janeiro inaugura hoje uma pequena série de matérias desenvolvidas pela nossa equipe que compartilhará os dados e resultados de algumas de nossas atividades e pesquisas realizadas em 2021 abordando os impactos e balanços obtidos durante a pandemia no Brasil e como impacta a relação entre Brasil e Itália.

 

Em julho de 2021 o Brasil atingiu a marca de 100 milhões de vacinados com a primeira dose da vacina contra a Covid-19, a segunda dose atingiu a mesma marca em também no mesmo ano. A partir da segunda metade do ano apresentou um aquecimento no ritmo de vacinação, tendo o país fechado em 2021 com 161.221.915 de imunizados com a primeira dose e 143.356.785 de imunizados com a segunda dose ou a dose única (dados do G1). Atualmente, o país registra 154 milhões de vacinados, representando 71,6% da população com o primeiro ciclo vacinal completo (Folha de S.P).

Cenário do PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil

O impacto da economia continua a ser sentido e ainda pode ser observado. A edição do Boletim Macrofiscal, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE/ME), apresentado no dia 17 de novembro de 2021, destaca que a projeção oficial do Produto Interno Bruto (PIB) para 2021 reduziu-se de 5,3% para 5,1%. 

De forma semelhante, houve alteração para a previsão relativa a 2022, diminuindo a expansão do PIB de 2,5% para 2,1%. Diversos fatores têm afetado a expansão global, destacando-se os efeitos danosos da quebra de cadeias globais que prejudicam a indústria e reduzem sua produção devido à falta de insumos. 

Os efeitos negativos na oferta e a maior demanda global são notórios e podem ser vistos na pressão no nível de preços. Cita-se o elevado nível do preço das commodities, com destaque para os valores da energia, alimentos e metais industriais. A inflação de itens que não são apenas de alimento e energia tem assolado diversos países (Macrofiscal). 

A tabela abaixo apresenta a comparação da taxa de variação do PIB e seus componentes de acordo com o IBGE. Os dados apresentados são dos últimos quatro trimestres do mesmo período do ano precedente sem os ajustes sazonais.

Após as acentuadas quedas notadas em 2020 em decorrência do início da pandemia, observa-se que o ano de 2021 é perceptível a recuperação nos principais setores da economia brasileira. No agregado dos últimos 4 trimestres, em relação ao setor industrial, o extrativismo cresceu 0,2%; o setor de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos caiu 0,9%; e puxando a alta do setor, a construção cresceu 5,6%; e a indústria de transformação, 7,8%. (IBGE)

Sempre no mesmo período, em relação ao setor comercial, atividades de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social cresceram 0,1%; atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, 1,8%; outras atividades de serviços, 2,1%; atividades imobiliárias, 3%; comércio em si, 7,1%; transporte, armazenagem e correio, 8%; e informação e comunicação, notáveis 9,6%. 

Os impostos aumentaram 5,8%, o consumo das famílias 2,1%, e o do governo 0,4%. No mesmo período, as importações cresceram 10,3% e as exportações, 3,8%.  (IBGE)

Como a pandemia refletiu na inflação brasileira em 2021

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado de 12 meses, segundo os dados mais recentes fornecidos pelo IBGE, chegou em novembro de 2021 a 10,74%.  Atualmente, o IPCA acumulado de 12 meses é de 10,38% de acordo com os dados publicados pelo IBGE em janeiro de 2022. (IPCA)

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, chegou a 17,78% no fim de 2021. 

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) segundo a Agência Brasil também apresentaram alta. A inflação do IPC, que mede o varejo, passou de 4,81% em 2020 para 9,32% em 2021. Já o INCC subiu de 8,66% para 14,03% no período. (Agência Brasil)

O Banco Central (BC) prevê inflação de 2021 acima de 10%, pela primeira vez em seis anos. O centro da meta é de 3,75%, e a previsão passou de 8,5% para 10,2%; a estimativa para 2022 também aumentou de 3,7% para 4,7%.  O BC avalia que a alta da inflação neste ano é resultado de 3 fatores principais: (i) aumento dos preços de “commodities” (produtos básicos com cotação internacional, como alimentos, minérios e petróleo, que impulsiona o preço dos combustíveis); (ii) crise energética; e, (iii) alta do dólar, que eleva o preço de produtos e insumos importados. (G1)

Um dos fatores que mais influencia o poder de compra da população, principalmente dos mais pobres, é a inflação sobre os alimentos. A alta no preço desses foi de 12,54% em outubro de 2021 no acumulado de 12 meses e de 21,39% desde o início da pandemia. Já em relação à habitação houve aumento de 14% e 15,39%. (Poder 360)

A taxa de juros do Governo Federal, que desde o início do mandato de Jair Bolsonaro a manteve em patamares historicamente baixos, e nos últimos meses se viu forçado a aumentá-la.

A Selic é a taxa básica de juros da economia. É a principal ferramenta de política monetária utilizada pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação, afetando todas as taxas de juros do país, como as taxas de empréstimos, financiamentos e investimentos de curto prazo.

A taxa Selic refere-se à taxa de juros das operações de empréstimo de um dia entre instituições financeiras que usam títulos públicos federais como garantia. O BC atua no mercado de títulos públicos de forma que a taxa seletiva efetiva esteja alinhada à meta da Selic fixada em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Diferentemente de janeiro de 2021, quando a taxa Selic era de 2%, o valor mais baixo da série histórica, a taxa em janeiro de 2022 é de 9,25%, reflexo dos esforços para conter a inflação com que o país vem sofrendo. Estima-se que a taxa SELIC para o fim de 2022 seja de 12,25% segundo pesquisa realizada pela Focus (Época Negócios).

A nossa próxima publicação abordaremos o cenário de empregabilidade no Brasil e quais os setores e profissões que tiveram maior destaque desde a pandemia.



Todas as Notícias