Brasil, a nova terra prometida para as exportações de vinhos italianos

30/04/2021


Nem mesmo o Covid-19 reduz a qualidade do vinho italiano. Nos 12 meses mais chocantes de toda a história econômica mundial, enquanto, segundo os dados do Observatório do Vinho, mercados como os dos Estados Unidos (-11,1%), Reino Unido (-12,4%) ou Alemanha (-4,5%) perdem cifras importantes de volume de negócios, o Bel Paese estima suas perdas de exportação em -2,2%, o que equivale a cerca de 6,29 bilhões de euros.

A RESILIÊNCIA DAS VINÍCOLAS ITALIANAS

O resultado não é o ideal, claro. Mas se comparado aos dados de outros países, como a França (-17,9%), demonstra certamente grande solidez. A isto, deve-se acrescentar que, se 2020 não foi um ano simples do ponto de vista da saúde, da economia e do comércio, as vinhas italianas reagiram bem, atingindo a produção de mais de 47,2 milhões de hectolitros de vinho (-1% em comparação a 2019). Um volume respeitável que, no entanto, esconde uma verdade que não deve ser subestimada. Hoje, na verdade, na Itália mais de 6,9 bilhões de litros de vinho permaneciam na adega em 31 de janeiro de 2021, de acordo com a análise Coldiretti baseada na última atualização disponibilizada pelo Ministério da Agricultura.

O NOVO CAMINHO BRASILEIRO DE VINHO

É necessário, portanto, encontrar novos pontos de exportação e comercialização que permitam a um dos mais importantes produtos agroalimentares italianos se recuperar após a crise.
Dentre estes, certamente o mais interessante, principalmente em um ano como este, acaba sendo o mercado brasileiro. Um dos países com maior crescimento nas importações e compras internas de vinho a nível global, e que confere particular atenção às uvas italianas. As importações brasileiras de vinho, segundo dados da Ideal Consulting propostos pelo ICE, de fato, cresceram em 2020 em 26,5% em volume e 13,6% em valor, em relação ao ano anterior. Foram importadas 16,8 milhões de caixas de 9 litros, valor maior do que o registrado em 2019, de cerca de 3,5 milhões de caixas, ou 42 milhões de garrafas. O crescimento, assim como aconteceu em todo o mundo em termos de novos hábitos de compra, foi impulsionado pelos vinhos, cujo aumento foi de 28,6% em volume em relação a 2019, contra uma redução de 36,2% em champanhes e 20,1% entre espumantes e prosecco, que são notoriamente as bebidas mais consumidas em festas e eventos (segmentos fortemente afetados pelo isolamento imposto pela pandemia).

O VINHO ITALIANO NO BRASIL

Sempre olhando o mercado brasileiro como emergente e com grande potencial, é possível perceber imediatamente que a Itália já possui uma posição favorável que seria muito vantajosa explorar para aumentar sua competitividade junto aos líderes do setor e, em particular, aos produtores europeus. Conforme relatado pelo ICE, de fato, se excluirmos as importações de proximidade geográfica (escolhidas também por seus menores custos), como por exemplo a chilena que, com uma participação de 44,3% em valor (USD FOB 177,93 milhões) e 49,4% por volume (8,06 milhões de caixas de 9 litros), é o principal país fornecedor da bebida, seguida pela Argentina, cuja participação nas importações brasileiras foi de 16,5% em valor (US $ FOB 66,05 milhões) e de 15,1% em volume (2,46 milhões de caixas de 9 litros), em primeiro lugar fora da América Latina está Portugal, o terceiro maior fornecedor brasileiro e o principal fornecedor europeu com uma quota de 16,3% em valor (USD FOB 65,25 milhões) e 16% em volume (2,61 milhões de caixas de 9 litros), seguido pela Itália, com uma participação de 8,2% em valor (US $ 32,85 milhões) e 7,1% em volume (1,15 milhões de caixas de 9 litros). O consumo da bebida, impulsionado pelos efeitos da pandemia, também atingiu níveis elevados: 2,78 litros para cada pessoa com mais de 18 anos, contra 2,13 em 2019. Em 2020, foram vendidos 501,1 milhões de litros de vinho, contra 383,9 milhões de litros em 2019, registrando um aumento nas vendas de + 30,5%. Os vinhos brasileiros são os que mais aumentaram o consumo (32,4%). As vendas de vinhos importados foram um pouco menores (26,5%) e a principal causa é a desvalorização do real, calculada em 29% em 2020. Este é um fato que demonstra como o interesse do país pelos vinhos importados também é crescente, deixando margens significativas para melhorias e perspectivas para o futuro.

Fonte: TuttoFood



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