Com conflito na Europa, investidor procura commodities brasileiras

28/03/2022


A Câmara Ítalo brasileira de Indústria e Comércio do Rio de Janeiro dá continuidade às matérias desenvolvidas pela nossa equipe que compartilha os dados e resultados de algumas de nossas atividades e pesquisas realizadas em 2021 abordando os impactos e balanços obtidos durante a pandemia no Brasil e como impacta a relação entre Brasil e Itália.

 

O investidor estrangeiro que vem para o Brasil mostra um interesse bem específico: commodities. Levantamento feito pela consultoria Economatica a pedido do Estadão evidencia esse quadro.

Dos 33 setores econômicos representados na B3, menos de um terço se valorizou neste ano — e apenas três apresentaram ganhos acima de 10%. A mineração teve alta de 34,77%, o setor agropecuário de 17,72% e petróleo e gás registraram 11,78% de crescimento. No período, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, subiu 9%.

Na outra ponta, o setor de computadores e equipamentos, onde estão empresas como Positivo, Intelbras e Multilaser, já perdeu 34% no ano, e o de automóveis e motocicletas caiu 19,71%. No setor de transporte a queda chega a 15,31%, pelo estudo preparado por Einar Rivero.

De acordo com o correspondente de portfólio para ações da gestora WHG, Daniel Gewehr, a alta do Ibovespa nesse início de ano foi sustentada, basicamente, por dez ações listadas na Bolsa. Ele lembra que o peso do setor de commodities chega hoje a 30% do índice (há um ano, era de 20%). Para ele, o que também atrai os investidores é o fato de essas empresas estarem baratas em relação às suas concorrentes globais.

Para Gewehr, a entrada de recursos externos ao Brasil deve continuar. Mas ele diz não esperar, à frente, um movimento tão forte como o visto no início deste ano. Em contrapartida, diz, o investidor local deve continuar fugindo da Bolsa, por conta da alta forte dos juros, que tem provocado migração para a renda fixa. No acumulado deste ano, os investidores pessoa física já retiraram R$ 16,213 bilhões da B3.

O economista responsável pelos mercados emergentes da consultoria londrina Capital Economics, William Jackson, explica que, além do preço das commodities, que dará um impulso às exportações, atraindo investidores, a falta de ligação do Brasil com Rússia e Ucrânia e o pouco contágio dos efeitos da guerra no Leste Europeu também têm ajudado a direcionar o fluxo de capital para cá.

Relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), entidade formada por mais de 400 bancos globais e com sede em Washington (Estados Unidos), corrobora essa avaliação. A entidade apontou que, apenas em fevereiro, a entrada de capital em países emergentes atingiu US$ 17,6 bilhões, sendo US$ 8,7 bilhões apenas para a América Latina.
O órgão apontou que há distinção no direcionamento dos fluxos entre os países e que algumas regiões estão, potencialmente, beneficiando-se, exatamente, da dinâmica de alta dos preços das commodities.
Em relatório enviado a clientes há poucos dias, o Bank of America destacou que, enquanto investidores nacionais estão saindo de fundos de ações e migrando para a renda fixa, diante das taxas de juros mais altas, algo que torna essa classe de investimento mais atrativa, os investidores estrangeiros direcionaram o fluxo ao Brasil, sendo os grandes responsáveis pela alta do índice brasileiro neste início do ano.
Segundo o banco, a favor do Brasil está a entrada de recursos aos emergentes e a preferência dos investidores pelas empresas de commodities, “em um mundo de inflação e de taxas de juros crescentes”.
A gestora americana Franklin Templeton também acredita que o Brasil pode ser uma boa opção para investidores estrangeiros. “Apesar da recente alta do mercado de ações, os valuations (avaliação das empresas) parecem atraentes”, aponta uma análise da gestora.
Assim, “nestes tempos incertos”, os estrategistas da empresa avaliam que o Brasil, com sua oferta abundante de commodities, momento favorável para os resultados corporativos e retornos atrativos, “merece maior atenção dos investidores”. (Info Money)

A última matéria da nossa série, Guia Econômico 2022, apresentará uma análise do Comércio bilateral entre Brasil-Itália em 2021.



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