Entenda o panorama econômico de Itália e Brasil em 2020

27/01/2021


Hoje, iniciamos uma série de publicações para apresentar o panorama econômico de Brasil e Itália em 2020, os desafios enfrentados e as perspectivas de futuro. Também apresentaremos dados do comércio exterior, e, claro, o estado da arte das relações econômicas entre os dois países.

Nessa primeira notícia, apresentamos e analisamos indicadores cruciais para o entendimento das atividades econômicas que lhe ajudarão a planejar seus negócios.

Itália

Na Itália, a projeção oficial do Istat (Instituto Nacional de Estatística), é de que o PIB italiano caia 8,9% em 2020. Já para 2021, a expectativa é de que o índice cresça 4%. A título de comparação, em 2019, o PIB italiano cresceu 0,3% em relação ao ano anterior.

Por outro lado, uma notícia animadora é que a variação do PIB, entre o segundo e o terceiro trimestre de 2020, mostrou forte alta (15,9%), simbolizando o início do reaquecimento da economia italiana.

Na tabela abaixo, é possível observar o percentual de variação anual do PIB italiano e de seus componentes. 

Skjermbilde 2021-01-27 kl. 12.48.30

 

 

 

 

 

 

 

A seguir, verifica-se a variação percentual das exportações e importações italianas, em relação aos anos precedentes.

Skjermbilde 2021-01-27 kl. 12.48.40

 

 

 

 

 

Assim como a tendência brasileira, o agregado anual da economia italiana apresenta dados negativos. No agregado de 2020, é esperada uma grande redução no consumo das famílias (-10,0%) acompanhada por um aumento acentuado na propensão a poupar. Contudo, ao analisar o terceiro trimestre de 2020, o gasto familiar no país aumentou consideravelmente (+15,0%), amparado pelo aumento das compras de bens duráveis ​​e serviços (+46,8% e +16,4%, respectivamente). 

Em 2021, a previsão é de recuperação tímida do consumo, condicionada à fase de transição da recuperação das despesas com serviços e à redução progressiva das incertezas relacionadas à evolução do vírus. Prevê-se que o gasto familiar deverá aumentar em 4,5%.

Em novembro, o índice da produção industrial registrou queda (-1,4%), resultado da redução da atividade em todos os principais setores (-4,0% para bens de consumo, -3,6% para energia e -0,6% para bens de capital) com exceção de bens intermediários (+0,2%). Considerando o período de janeiro a novembro, os índices apresentam contração significativa (-12,1%). O número de novembro confirma a fase de atenuação do processo de recuperação das taxas de produção. Se os níveis da produção industrial em dezembro se mantiveram iguais aos de novembro, o quarto trimestre registrará uma redução moderada em relação ao trimestre anterior (-0,8%). 

No terceiro trimestre de 2020, estima-se que o setor de negócios e serviços aumente 26,7% face ao trimestre anterior; o índice bruto anual registra queda de 6,9%.

O índice de faturamento de serviços no terceiro trimestre de 2020 mostra clara recuperação, registrando variações positivas em todos os setores. Em particular, o maior acréscimo refere-se às atividades de alojamento e restauração que apresentam um salto de 161,9%, ligadas ao gradual retorno do turismo.

Fortes aumentos também dentre as atividades profissionais, científicas e técnicas (+27,4%), comércio por atacado, comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (+26,0%), transporte e armazenamento (+20,9%), agências de viagens e serviços de apoio ao negócio (+16,7%). O menor aumento diz respeito aos serviços de informação e comunicação (+9,4%). 

No que diz respeito às exportações de bens e serviços, mesmo que em recuperação gradual, as mesmas devem diminuir 16,4%. Já as importações devem cair 14,0%. Em 2021, prevê-se que a recuperação do comércio mundial afete positivamente as exportações e as importações (respectivamente +10,2 e +10,0%). 

Brasil

Fatores como a COVID-19 e a falta de clareza quanto às diretrizes econômicas e sanitárias a serem adotadas frearam o calendário de reformas estruturais do Governo brasileiro e a recuperação econômica que o Brasil observou nos anos anteriores.

A nova edição do Boletim Macrofiscal, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE/ME), apresentada no dia 17 de novembro, destaca que a projeção oficial do Produto Interno Bruto (PIB) para 2020 continua apresentando relativa melhora, saindo de uma retração de 4,7% para 4,5% em termos reais. Este resultado positivo se deve, sobretudo, pela forte reação de setores econômicos, como comércio varejista e indústria, no 3º trimestre deste ano. 

Segundo previsões da OCDE, o PIB brasileiro deve recuar 5% em 2020, previsão menos otimista que a do governo. Apesar disso, as previsões de ambas as instituições são de crescimento para o biênio vindouro. A OCDE projeta crescimento de 2,6% em 2021 e 2,2% em 2022. Por sua vez, o governo projeta 3,2% em 2021 e 2,5% em 2022.

Na tabela abaixo, é possível observar o percentual de variação anual do PIB brasileiro e de seus componentes

Skjermbilde 2021-01-27 kl. 12.51.59

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Já nesta tabela, verifica-se a variação percentual das exportações e importações brasileiras, em relação aos anos precedentes.

Skjermbilde 2021-01-27 kl. 12.49.00

 

 

 

 


Entre as atividades industriais, destaca-se o crescimento de 23,7% das indústrias de transformação. Também houve aumento em Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (8,5%), Construção (5,6%) e Indústrias extrativas (2,5%).Enquanto os dados agregados do exercício 2020 apresentam valores negativos, a comparação entre o terceiro trimestre e o trimestre anterior indica uma gradual recuperação econômica do país. Observa-se que a Indústria cresceu 14,8%, os Serviços subiram 6,3% e a Agropecuária caiu 0,5%.

Nos Serviços, todos os setores cresceram: Comércio (15,9%), Transporte, armazenagem e correio (12,5%), Outras atividades de serviços (7,8%), Informação e comunicação (3,1%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (2,5%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,5%) e Atividades imobiliárias (1,1%).

No que diz respeito às despesas, a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 11,0% em relação ao trimestre anterior. A Despesa de Consumo das Famílias cresceu 7,6% e a Despesa de Consumo do Governo cresceu 3,5%.

Ainda comparando o terceiro e o segundo trimestres de 2020, as Exportações de Bens e Serviços tiveram queda de 2,1%, enquanto as Importações de Bens e Serviços caíram 9,6%.

Fique atento à próxima publicação: nela, apresentaremos dados sobre a situação do poder de consumo dos brasileiros e italianos!

Fontes: Ministério da EconomiaIBGEBanco MundialISTATCountry EconomyTrading Economics e Valor Econômico.



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