Veja como o Brasil buscou inserir a cultura ESG nas empresas em 2021

11/03/2022


A Câmara Ítalo brasileira de Indústria e Comércio do Rio de Janeiro dá continuidade às matérias desenvolvidas pela nossa equipe que compartilha os dados e resultados de algumas de nossas atividades e pesquisas realizadas em 2021 abordando os impactos e balanços obtidos durante a pandemia no Brasil e como impacta a relação entre Brasil e Itália.

 

Nos últimos tempos, o termo ESG, sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança, tem ganhado grande visibilidade, graças a uma preocupação crescente do mercado com a sustentabilidade.
As questões ambientais, sociais e de governança têm passado a ser progressivamente consideradas essenciais nas análises de riscos e nas decisões de investimentos, influindo no setor empresarial.
Segundo relatório da PwC, até 2025, 57% dos ativos de fundos mútuos na Europa estarão em fundos que consideram os critérios ESG, o que representa US$ 8,9 trilhões, em relação a 15,1% no fim do ano passado. Além disso, 77% dos investidores institucionais pesquisados pela PwC disseram que planejam parar de comprar produtos não ESG nos próximos dois anos.
No Brasil, fundos ESG captaram R$ 2,5 bilhões em 2020 – mais da metade da captação veio de fundos criados nos últimos 12 meses. Este levantamento foi feito pela Morningstar e pela Capital Reset. (Pacto Global)
Segundo pesquisa realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais), o crescimento das discussões sobre ESG no Brasil podem ser confirmados pela percepção do setor empresarial. Para 84% dos entrevistados, o interesse pela discussão aumentou em 2021, em comparação com os anos anteriores.
A maior parte dos respondentes revelou serem estimulados com alta frequência a repensar e criar soluções que impactem positivamente nos 3 critérios ESG. 51% dos respondentes sempre são incentivados a considerar práticas com impactos sociais mais positivos; 50% para impactos ambientais mais positivos e 48% para impactos de governança mais positivos.
A pesquisa da Anbima também revelou que em janeiro de 2021, os fundos que investem em empresas com preocupação social, ambiental e de governança já ultrapassaram R$1 bilhão. A expectativa dos consumidores também segue a tendência: a KPMG realizou uma pesquisa com consumidores do mundo todo. Dentre os que mais se importam com a abordagem das empresas em relação ao meio ambiente, 5% são brasileiros. Já dos que se importam com a consciência social da empresa, 9% são brasileiros. (Vaipe)
Para cada US$ 3 investidos em fundos em todo o mundo em 2021, US$ 1 foi destinado aos chamados fundos ESG, que focam as aplicações em empresas com boas práticas ambientais, sociais e de governança, segundo relatório do Bank of America.
De acordo com o levantamento, os depósitos em fundos ESG subiram 73% em média em 2021, em comparação com 2020. De cada oito fundos existentes no mundo, um tem foco em ESG, de acordo com o banco.
No Brasil, o tema tem ganhado cada vez mais destaque com o surgimento de fundos amplos e também focados em nichos específicos, que englobam investimento em água e urânio ou companhias que ajudam na mitigação de mudanças climáticas.
O processo ESG é uma jornada quase que sem fim”, diz Fabio Alperowitch, CFA da Fama Investimentos, uma das casas mais tradicionais no segmento. “Não nos incomodamos em investir em empresas que estejam no início desse processo. Mas precisamos investir em empresas que tenham a cultura ESG. Em resumo, são investimentos em empresas que são de excelente qualidade, gestão e que tenham cultura corporativa alinhadas ao ESG”, explica. (InfoMoney)
Foco no ambiental, social ou na governança?
Em sua carta anual, divulgada no início deste ano, Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora de recursos do mundo, destacou que acionistas, funcionários, clientes e reguladores esperam que as empresas desempenhem um papel na descarbonização da economia global. “Poucas coisas afetarão as decisões de alocação de capital – e, portanto, o valor de longo prazo de sua empresa – mais do que a eficiência com que você navegará na transição energética global nos próximos anos”, disse ele.
Segundo Fink, todas as empresas e setores serão transformados pela transição para um mundo de emissão zero. “Os próximos 1.000 unicórnios não serão mecanismos de busca ou empresas de redes sociais. Eles serão inovadores, sustentáveis e escaláveis – startups que ajudam o mundo a se descarbonizar e tornar a transição de energia acessível para todos os consumidores”, afirmou.
Por ora, no Brasil, o que se percebe é a ênfase das gestoras de fundos no “G” – governança – do tripé ESG. Pesquisa realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) com 209 gestoras de recursos indica que os aspectos de governança são os mais observados pelo setor, em especial a transparência (92%) e a ética (92%).
O resultado reflete o fato de que, historicamente, o mercado está mais acostumado a relacionar a gestão das empresas ao seu desempenho financeiro, enquanto aspectos ambientais e sociais passaram a ser contemplados mais recentemente.
Características relacionadas às dimensões ambiental e social foram mencionadas com menor frequência na pesquisa. Dentro de ambiental, aparecem com destaque o uso de recursos naturais (76%), tecnologia limpa (71%) e poluição (71%). No campo social, chama atenção a observância aos direitos humanos (73%).
Com o avanço da pauta no Brasil e, em especial, no mercado de capitais, a Anbima decidiu criar uma nova forma de identificar os fundos considerados sustentáveis. Neste mês entraram em vigor as novas regras para identificação de fundos ESG.
Na prática, os fundos que tenham estratégias de investimentos voltadas às questões de ESG agora serão reconhecidos com a sigla IS – Investimento Sustentável – no nome, desde que cumpram certos critérios, requisitos e procedimentos. A regra vale para novos fundos de renda fixa e de ações cadastrados na Anbima.
Os fundos já existentes que se identificam como verdes, sociais, de impacto, ASG, ESG ou nomenclaturas semelhantes têm seis meses para se adaptar. A exceção fica com aqueles que atualmente são classificados como Sustentabilidade/Governança na Anbima, que terão até dezembro de 2022 para fazer a transição caso atendam aos novos requisitos. Caso contrário, deverão ser reclassificados em outra subcategoria.
A atual subcategoria Sustentabilidade/Governança contempla 45 fundos, segundo a Anbima – número que dobrou desde 2019, quando eram 22 fundos. Com a nova identificação, essa subcategoria deixará de existir. (InfoMoney)

 

A nossa próxima publicação abordaremos as ações e medidas necessárias a serem adotadas pelo Brasil no combate à  crise climática.



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